quarta-feira, 23 de abril de 2014

Metropolitano de Lisboa


Desde o inicio das obras do metropolitano que se romperam largas e profundas valas, transformaram a fisionomia da Avenida da Liberdade e de outras artérias da capital por onde máquinas e homens passaram abrindo caminho ao metropolitano.
" romperam larga e profundas valas"  (Av. Almirante Reis)


"transformaram a fisionomia da Av. da Liberdade"






















Marquês de Pombal



















"primeira fase com cerca de 7 km."
Aquela primeira fase(1), com cerca de 7 quilómetros, fazia parte de uma rede mais vasta, com cerca de 40 quilómetros de extensão, integrada no “plano geral de coordenação dos transportes urbanos e suburbanos”, através do qual se iriam resolver as dificuldades com que se lutava em Lisboa no âmbito da circulação e dos transportes pelas ruas da cidade.

"as estações que eram em número de onze"














As estações que eram em número de onze, distribuíam-se ao longo das linhas, a distâncias médias na ordem dos 650 metros; a iluminação era feita com armaduras fluorescentes, existindo ainda as de socorro que entravam em funcionamento no caso de interrupção da corrente


"a iluminação era feita com armaduras fluorescentes"















A circulação do público era fácil e onde se tornou conveniente separar correntes de sentidos diferentes aí se encontravam simples grades divisórias, dotadas de escadas que davam acesso aos átrios dos cais.

"amplos átrios acolhiam os passageiros"
Com excepção da estação da Rotunda, que tinha 70 metros, as outras foram construídas com o comprimento de 40 metros, correspondente a uma composição de duas carruagens, de 200 passageiros cada. Não se passava directamente da superfície para os cais, amplos átrios acolhiam os passageiros que procuravam este meio de transporte; aí encontravam não só os esclarecimentos necessários sobre a rede do Metropolitano e suas ligações com os transportes de superfície, como se poderia também adquirir jornais, tabacos, telefonar, etc.

"através de escadas, que eram fixas"



"adoptaram-se sistemas mecânicos"













Os acessos às estações faziam-se através de escadas, que eram fixas, no caso quase geral das pouco profundas e quando os cais se situavam a desníveis superiores a 9 metros, em relação à superfície da rua, adoptaram-se sistemas mecânicos de acesso, como aconteceu na estação do Parque.

"carruagens inteiramente metálicas"















As carruagens eram inteiramente metálicas com assentos revestidos de material plástico e portas de correr de funcionamento automático; o sistema de tarifas era o de bilhete único e a sua venda fazia-se nos átrios.

"assentos revestidos de material plástico e portas de correr
de funcionamento automático"


"sistema de ventilação forçado"
Existiu a preocupação constante de manter o interior das estações e restantes galerias com um ambiente fresco e bem arejado, para maior comodidade do público. Para o efeito, recorreu-se a um sistema de ventilação forçado, constituído essencialmente, por oito ventiladores, todos 
tele comandados, o que assegurava, numa hora, a dupla renovação integral do ar das galerias.

O Presidente da República Almirante Américo Tomás
no dia da inauguração do Metropolitano de Lisboa

 (1)   Inaugurado no dia 29 de Dezembro de 1959  

  Coorden. do texto e ilustrações da colecção particular de :marr




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Camisaria Moderna

Quem não se recorda da surpresa que constituía, para muitos, o cenário da Camisaria Moderna? A tal que vendia as célebres camisas que "não fazem pregas no peito nem rugas no colarinho". Era precisamente no interior da loja, no salão de atendimento ao público que existia um original viveiro de aves... o seu proprietário, o Sr. António Regojo Rodriguez,  justificava este viveiro do seguinte modo:
Aspecto do interior da Camisaria Moderna com as aves à solta




O Sr. António Regojo Rodri-
guez, proprietário da
Camisaria Moderna
- " Há aproximadamente um ano (1952) que um pintassilgo ferido procurou refúgio no meu estabelecimento. Sentiu-se bem e decidiu ficar e a docilidade da sua permanência fez-me pensar na possibilidade de manter um viveiro de pássaros em liberdade no interior da minha loja. E o que pensei aconteceu... claro que não os soltei aqui dentro todos de uma só vez!"

"Primeiramente, a medo, soltei meia dúzia. verificando que, conquanto existisse natural perturbação, as aves não tentavam fugir e isso animou-me a, progressivamente, ir aumentando o seu número. E acabei por ficar com cinquenta! Mandei construir bebedouros, baloiços, poleiros e uma pequena árvore, não lhes faltando com nada para o seu bem-estar."


"Fugirem? Como a porta se encontra num plano inferior ao dos poleiros, calculei não ser muito fácil que tal acontecesse, pelo menos nos primeiros tempos encontra-la, e, quando conheceram o caminho da porta, curiosamente lembravam-se dela para regressarem... evidentemente que os meus pássaros não desdenham uns passeiozitos pelo mundo dos outros mas... voltam sempre depois."
Bebedouros, poleiros, baloiços e até uma pequena árvore...

O Sr. Regojo, sorrindo, acrescentava ainda:

-"Fiz com os meus alegres pensionistas um contrato simbólico. Dou-lhes casa e mesa para que me dêem uma nota colorida ao ambiente com uma condição expressa. Que não me "desconsiderem" os clientes e, até hoje, têm cumprido a promessa..."

Aqui as aves vivem felizes num ambiente de que já não se podem afastar























As avezitas voando de um lado para o outro...

Das muitas vezes que lá fui com os meus pais, ainda criança, lembro-me perfeitamente das avezitas, escolhidas entre os de mais belas e variadas cores, a chilrearem alegremente, voando de um lado para o outro; e sempre que ia à Baixa, lá corria eu para ir espreitar os passarinhos da loja do Sr. Regojo! Bons tempos aqueles...





In: Século Ilustrado de Dezembro de 1953 (colecção particular)
Coordenação da entrevista e das fotos: marr


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Fábrica de Lâmpadas Lumiar - Foi Notícia em Setembro de 1933...

A LUMINOSA REALIDADE 
DAS 
LÂMPADAS LUMIAR

Colocação de suportes e montagem do filamento


A Empresa Nacional de Aparelhagem Eléctrica inaugurou há dias, oficialmente, a sua fábrica de lâmpadas eléctricas «LUMIAR». Finalmente possuímos já uma fábrica de lâmpadas eléctricas, justa aspiração de tantos anos.

Uma nova indústria surge e vem uma vez mais demonstrar que Portugal caminha, para a sua equiparação aos grandes países.

Secção de fotometria

O edifício em questão ocupa a área de 5000m2, em 3 amplos andares, 110 operários, espalhados por diversas secções apetrechadas com a mais moderna maquinaria, fabricam sob o mais rigoroso controlo e processos científicos perfeitíssimos milhares de lâmpadas em todos os tipo usuais para todas as potencias.
Máquina de corte do gargalo das ampôlas

A capacidade fabril actual, é de 8000 lâmpadas diárias. O cristal é ali produzido, o que sucede em muito poucas fábricas congéneres, em fornos aquecidos a óleos pesados, merecendo especial referência o perfeito processo de moldes mecânicos onde é moldada a ampola - uma inovação no nosso País. Toda a lâmpada «LUMIAR» é inteiramente fabricada ali, excepção feita ao filamento e casquilho.
Os potes de fecho e de enchimento

Todas as secções requerem do pessoal extrema precisão e atento cuidado, sendo de justiça, pôr em relevo a admirável adaptação do operariado, que duma forma rápida executa as diversas operações - algumas de extrema delicadeza - com o maior desembaraço.

Fabrico do pé das lâmpadas
A lâmpada «LUMIAR» rivaliza com as melhores congéneres estrangeiras, e para que a nossa preferência lhe seja dada, impondo-se à admiração de todos, está também o nosso carinho por tudo quanto é nosso, tudo quanto é português.



Preferir a lâmpada «LUMIAR» é além duma justiça recta, combater o snobismo irritante da preferência pelos produtos estrangeiros.

In: Notícias Ilustrado de Setembro de 1933 (Colecção particular)
Coordenação do texto e das fotos: marr

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Moçambique - "Pepito" - Um palhaço esquecido

Tem igualmente este "blog", como um dos seus objectivos, recordar e fazer avivar figuras que fizeram parte do nosso património cultural e que hoje estão totalmente esquecidas, por todos nós, ou trazê-las ao conhecimento das actuais gerações.

Prestamos assim, embora tardiamente, homenagem a todas essas personalidades que, de um ou de outro modo, se destacaram no seu tempo dentro das suas actividades profissionais.
marr

Lourenço Marques - Moçambique c.1967
(Colecção particular)


Recordar "Pepito" não o fará voltar ao nossos convívio, contudo é obrigação de, pelo menos duas gerações, o recordarem em Lourenço Marques, Moçambique.

Delfim de Oliveira Rodrigues foi seu colega, fez dupla com "Pepito" e ambos fizeram rir milhares de pessoas, concedeu uma entrevista em 1971, onde nomeadamente afirmou:

«Falar sobre a vida de José Pereira da Silva Júnior, o conhecido palhaço "Pepito", seria um livro bastante volumoso, mesmo só falando daqui, de Moçambique, onde se radicou. Para aqui veio por alturas de 1942, na Companhia do falecido Octávio de Matos, quando esse artista veio a esta cidade, como ilusionista, apresentar o grande espectáculo "Ling-Chong".

Desligou-se da Companhia aqui se fixou e se casou, tendo-lhe nascido um casal. A filha, a então conhecida "Belita", que bastantes vezes actuou em conjunto connosco, era uma artista que, embora ensinada só pelo pai, chegou a ser bastante admirada e elogiada por outros artistas estrangeiros que tinham ocasião de nos ver trabalhar.

Só com o rodar dos anos me associei a "Pepito", pois anteriormente ele fazia parceria com outro rapaz que, devido aos seus inúmeros deveres profissionais, o teve que largar. Associei-me a ele, como disse, até à data do seu falecimento, ocorrido na tarde de 28 de Julho de 1967.

"Pepito" (ao meio) numa avenida de Lourenço Marques - Moçambique
(In: Plateia (Colecção particular)

Só de lamentar que um artista como foi este, consciencioso da sua profissão e muitíssimo meticuloso no que gostava de apresentar ao público, mesmo com prejuízo pessoal - pois que só da arte viveu no rodar desses anos todos - é de lamentar que nunca lhe pagassem o que merecia. Apenas uns míseros "cachets" surgiam daqui ou dali (e sempre discutidos!).

É de lamentar que um artista como foi este colega, que sempre acedia a convites para este ou aquele espectáculo, trabalhasse em toda a cidade - pois viu duas gerações rirem-se das coisas que se faziam para rir, o que é mesmo muito difícil e às vezes Deus sabe como é amargo estar nos locais onde nos apresentamos - insisto, é de lamentar que toda a gente se esquecesse da pessoa que nunca sabia dizer não, a ponto de várias vezes nos aborrecermos mesmo, por aceitar certas propostas...Depois, nem ao menos obrigado nos diziam no final do "show", se queríamos um refresco, era do nosso bolso que saía o pagamento...

No entanto tudo já passou... menos o nome do artista que faleceu a 28 de Julho de 1967!

Agora pergunto eu:
- O que há e em que lugar se fez, o que quer que fosse que recorde um amigo dessas gerações, hoje papás, mamãs e até avós, para que possam dizer aos seus quem foi aquele homem que tanto os divertiu?

Houve uma subscrição pública, para se mandar fazer um busto dele e colocá-lo no Parque Infantil do Jardim Zoológico de Lourenço Marques, a perpetuar aquele que fez rir e divertir muita gente.

Mas em que ficou tudo isso? Onde estão os resultados? Chegou ou não para o fim em vista? Ninguém sabe...

É de lamentar que nem ao menos a sua fria campa se encontre arranjada. Quem passe pelo cemitério e queira saber onde é o seu leito eterno, para assim nele colocar algumas flores e mesmo em silêncio rezar por ele, tem de se dirigir ao encarregado, pois que é um montinho de terra que para ali está. E nada mais justifica a presença daquele que também ajudou Lourenço Marques, a terra que tanto o fascinou a ficar por cá...e onde ficou afinal para todo o sempre!»

In: "Plateia" de Agosto de 1971 (colecção particular)
Coordenação do texto: marr

domingo, 1 de setembro de 2013

Recordações das nossas praias...

OS NEGOCIANTES
DA
PRAIA
O sorvete caseiro (Colecção particular)

O fotografo "à lá minute"
(Colecção particular)
Nas praias, enquanto se tomam banhos de mar e de sol, e se exibe naturalmente os sorrisos e a plástica, havia e há pessoas que, sob o mesmo sol abrasador, faziam e fazem o seu negócio tirando, do veraneio dos outros, o máximo proveito

Os comerciantes da praia, faziam já parte da família, que se acomodava, todo o dia, sob um minúsculo toldo, muito convencida de que estava protegida do sol. Todos os conheciam. Olhavam-nos, as crianças com carinho e desejo, as mulheres com curiosidade, e os homens com terror - porque eram eles que geralmente pagavam...


O "barquilheiro" (Colecção particular)


O "barquilheiro" era o croupier da praia. e até alguns adultos, velhos frequentadores de batotas que fecharam, experimentavam  com cinco tostões, a sua sorte de momento...

E as mulheres dos sorvetes, os fotógrafos ambulantes, o rapaz das sanduiches, o vendedor dos bolos, todos faziam negócio.






Sandes embrulhadas e higiénicas
(Colecção particular)




O único inimigo destes negociantes das praias, era o fato de banho. É que ele raramente tinha algibeiras, o que ocasionava que muita gente não comprasse... por não ter o dinheiro ali à mão...









Bolos e pãozinhos com chouriço
(Colecção particular)



Mesmo assim, era um belo negócio o destes comerciantes modestos, porque nesse tempo não pagavam licença de porta aberta, não existia a "ASAE", os clientes não contraiam doenças nem alergias por falta de higiene e afins, tudo estava "dentro do prazo" o organismo criava as suas auto-defesas. E já a os nossos avós afirmavam:
- «o que não mata, engorda!» 

Bons tempos aqueles...





Texto e ilustrações: marr

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Foi notícia em Dezembro de 1964...

O MELHOR POLÍCIA SINALEIRO DE LISBOA

Colecção particular


Colecção particular
Toda a gente o conhecia. Geralmente encontrava-se no cruzamento da Rua Tomás Ribeiro com a a Avenida Fontes Pereira de Melo. Tornou-se numa figura popular devido ao seu estilo e gestos próprios de um perfeito profissional. Era um verdadeiro espectáculo poder observa-lo a orientar o tráfego  gestos e passo elegantes, quando ele entrava de serviço os "engarrafamentos de trânsito" terminavam... tudo fluía naturalmente, tudo se movimentava ao seu redor, e ele ali no meio do cruzamento não parava, era realmente extraordinário! E sempre que passava de carro e o cumprimentava, ele fazia a continência sorrindo...

Colecção particular

Chamava-se Júlio Serra Inácio: "é sinaleiro há meia dúzia de anos, (escreve o repórter) metade de Lisboa o vê todos os dias. Muitos cumprimentam-no. Ele retribui com a continência característica, acompanhada de um sorriso largo, sem interromper os seus gestos de comando."

Colecção particular
"O Sr. Serras Inácio também é automobilista e, como não podia deixar de ser, peão. Por isso conhece bem os problemas de cada um destes grupos e, como era de prever, atribui culpas a todos, igualmente divididas, que é para nenhum se salientar."

Adicionar legenda
"O sinaleiro está condicionado por várias circunstância, o automobilista tem sempre demasiada pressa e o peão muito de inconsciência. Diz ele. «Torna-se urgente que todos se compenetrem dos seus deveres. O que conduz tem de respeitar a prioridade do peão nas passadeiras e este tem de se convencer a atravessar unicamente por ela e não por qualquer lado, consoante lhe apetecer...»"

Coordenação: marr

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Grande Café Nacional em Lisboa

Teve que se fazer uma grande remodelação da antiga loja, demolindo a sobre-loja e engrandecendo o espaço até à máxima ampliação, para assim nascer o Grande Café Nacional, na Rua 1.º de Dezembro, esquina sul da Calçada do Carmo.

Esquina da Rua 1.º de Dezembro com a Calçado do Carmo
(colecção particular)

Mas damos a palavra aos jornalistas da época, 1924:
" nas paredes predominam os arcos e este partido majestoso foi adoptado também nas entradas, que tem portas duplas e que são igualmente arcos envolvidos. Os das paredes são interrompidos por "seguintes", que se desenvolvem em toda a extensão e seguimento parietal. Não há, pois, monotonia de linhas: Dá-se o contraste das curvas dos arcos com a composição das rectas do tecto, o qual fica a sete metros do chão"

"Toda a modulação decorativa - motivada em cardos e em folhas de carvalho - tem uma patine bronzeada e a estrutura geral do tecto, continente dessa decoração, é sustida por dois pilares e mísulas que ostentam escudos das principais cidades portuguesas. Os fundos das paredes são revestidos por painéis de azulejo, emoldurados nos referidos arcos envolvidos e encimados por "cartouches" decoradas com esferas armilares - insígnias dos estilos nacionais. Esses painéis, a azul e branco, devem-se à arte de Jorge Colaço e são em número de oito, representando Trás-os-Montes, por um pelourinho dos mais nobremente antigos; o Minho pelo castelo de Guimarães; o Douro, por um trecho do rio sob a ponte D. Maria Pia; a Beira Alta, pelo parque do Fontelo; a Beira Baixa por um pedaço da grande lagoa da Serra da Estrela; a Estremadura, por um fundo azul do Tejo em que se ergue a Torre de Belém; o Alentejo, pelo templo de Diana e o Algarve pelo promontório de Sagres."

Interior do café com o respectivo pessoal
(Colecção particular)














" A parte inferior das paredes é forrada por um lambri de mármore brunido, de um belo tom castanho claro, esculpido em cordame náutico. Os tons da pintura foram escolhidos entre os claros - alaranjado e lilás - o que aproveita a máxima reflexão de luz e harmoniza perfeitamente com o azul e branco dos azulejos. A iluminação nocturna é constituída por 22 "plafonniers" e 8 candeeiros triplos. Colocados nas pilastras, sob as mísulas."

Outro aspecto do majestoso Nacional
(Colecção particular)

"As fachadas do café,  são todas de pedra branca. A que olha para a Rua 1.º de Dezembro tem sobre as partes reentrantes os escudos citadinos de Lisboa e Porto, em magníficos relevos. É rasgada por três portas monumentais, com arcos duplos envolvidos. A que dá para a Calçada do Carmo tem esculpido o escudo de Coimbra e é rasgada por dois janelões emoldurados igualmente em arcos envolvidos. Tanto as portas como os janelões são em ferro forjado, trabalhado artisticamente, com "panneaux" de vitrais e com rosáceas que abrem, estabelecendo uma franquíssima e sempre renovada ventilação. A cor dominante dos vitrais é o amarelo- dourado que, com detalhes de azul e de vermelho, dá um equilíbrio suavíssimo à forte luz do ambiente."

"No cimo exterior da esquina vai colocar-se brevemente um candelabro artístico em bronze, de quatro faces envidraçadas de arestas chanfradas e decorado com motivos iguais aos da ornamentação interior". (1)

Arquitecto Deolindo Vieira
(Colecção particular)
Toda esta obra artística deve-se ao Arquitecto Deolindo Vieira que foi coadjuvado pelo Mestre de construção civil António de Carvalho.

O Grande Café Nacional foi destinado, nessa altura, a ser um estabelecimento aparte do seu género, sendo frequentado por senhoras e grupos familiares que ali iam ouvir o quarteto musical que foi organizado pelo professor José Henriques dos Santos e todos os dias, à tarde e à noite, executavam diversos programas de concerto.

Em toda a extensão do estabelecimento foi cavado um amplo subterrâneo que funcionava como cervejaria e que além da comunicação interior, tinha outra particular pela Calçada do Carmo. 

O salão de Bilhares, que também era pertença do Grande Café Nacional, encontrava-se num grande espaço, no prédio contíguo, que tinha os números 47 a 53 da Rua 1.º de Dezembro.

(1) Aonde terão ido para os painéis de azulejos e a restante decoração?

Coordenação do texto e imagens: marr